Tecnologia 5G: quando chega ao Brasil e o que vai mudar na sua vida?

Já faz um tempo desde que você viu aqueles celulares antigos que pareciam um tijolo, lembra? Esses aparelhos faziam parte da primeira geração (1G) de comunicações móveis, um momento em que a telefonia ainda era um serviço para poucos, com chamadas de voz analógicas e nem sempre confiáveis.

A segunda geração (2G) trouxe um serviço de voz digital disponível para mais pessoas e mais seguro, também estreou as mensagens de texto e correio de voz.

O 3G estabeleceu a internet móvel, transformou o mundo online e possibilitou a multiplicação dos aplicativos.

O 4G possibilitou uma velocidade mais fluída de navegação, viabilizando streaming, chamadas de vídeo mais eficientes e a explosão das mídias sociais.

De geração em geração, a velocidade de conexão aumenta e novas aplicações vão surgindo. Muito do que vivenciamos de tecnologia hoje pareceu impossível algum dia, e isso é um movimento contínuo. Para entender mais sobre os passos dessa evolução até aqui, você pode ler nosso artigo ‘Do 1G ao 4G: a Evolução da Conexão nos Celulares’.

Mas e o 5G, para onde pode nos levar?

Com previsão de ser testado comercialmente em um futuro próximo, o 5G - a quinta geração das tecnologias de comunicação móvel - vai muito além dos celulares. A inovação aqui é que essa tecnologia permite muito mais conexões simultâneas entre um dispositivo móvel e outro, de maneira segura e muito mais rápida que atualmente.

O 5G vem para revolucionar!

Essa mudança impactará os mais diversos setores, da agricultura e indústria à educação e entretenimento. Mesmo as tecnologias que já existem hoje, mas que até então necessitavam de uma qualidade melhor de conexão, poderão ganhar escala e ser distribuídas para os consumidores.

Imagine um mundo em que todas as coisas estão conectadas à rede, muito além das pessoas e aparelhos celulares. Carros autônomos conversam com outros carros na estrada para compartilhar informações sobre a pista e reportar desempenho para as montadoras, evitando acidentes. Um médico cirurgião opera remotamente um paciente que está a milhares de quilômetros de distância, sem perder a precisão. O gerenciamento remoto de máquinas agrícolas e monitoramento da lavoura e rebanho ficam ainda mais eficientes.

Estudantes e técnicos poderão participar de treinamentos simultâneos com realidade virtual que possibilitem que tenham o mesmo ponto de vista exato do seu tutor. Jogos online vão transcender a tela do celular ou computador, possibilitando interações em realidade virtual ou aumentada sem delay de sinal. Sensores espalhados pela cidade avisam a população com devida antecedência que uma inundação ou deslizamento está por vir.

O 5G torna tudo isso possível. Mas como é que essa tecnologia funciona?

Por dentro do 5G

O 5G é, na verdade, a combinação de uma série de tecnologias inovadoras que, juntas, vão revolucionar a maneira como o mundo se conecta. A seguir, vamos explicar melhor cada uma dessas novas tecnologias.

Primeiro, vale uma contextualização: a conexão móvel, hoje em dia, é realizada por meio de sinais de rádio. Nossos celulares e outros dispositivos eletrônicos em casa utilizam faixas específicas no espectro de radiofrequência. Mas essas frequências são usadas há bastante tempo e, com o aumento constante no consumo de dados, quase não sobra espaço para novas aplicações. Isso poderia ocasionar uma conexão mais lenta ou até ausência de conexão para alguns aparelhos em momentos de pico.

Uma maneira de contornar esse problema é transmitir sinais em uma faixa nova de espectro, que não tenha sido usada anteriormente e, por isso mesmo, possui bastante espaço para novas conexões. É aí que as ondas milimétricas entram como uma solução!

Essas ondas  são milimétricas e são transmitidas em frequências novas, entre 30 e 300GHz - até então somente utilizadas por poucas aplicações pontuais para operadoras de satélite e radares.

Porém, existe uma desvantagem no uso das ondas milimétricas: elas não são boas em contornar objetos e podem acabar sendo absorvidas pelos obstáculos e até pela chuva... Por isso, a quantidade de antenas deve aumentar. E aí entra o papel das “small cells”.

Small cells são como pequenas estações base que atuam como repetidores de sinal. Elas são bem menores que as antenas convencionais, tanto que podem ser instaladas no topo de edifícios ou até mesmo em postes de luz.

Com a instalação dessas estações do tipo “small cells”, cria-se uma rede com densidade muito maior de antenas, o que permite um uso mais direcionado e eficiente do espectro de frequências. Antes, uma mesma antena cobria uma área muito maior e cada frequência só poderia ser usada para um dispositivo por vez. No 5G, a frequência que uma antena usa para se conectar com um dispositivo pode ser reutilizada por outra antena em uma área diferente para atender outro cliente.

E para possibilitar um número muito maior de conexões em cada antena, o 5G intensifica o uso de outra tecnologia: o MIMO.

MIMO (Multiple-Input Multiple-Output, em inglês, ou, múltiplas entradas e múltiplas saídas, em português) descreve sistemas de comunicação sem fio que usam dois ou mais transmissores e receptores para enviar e receber mais dados de uma só vez. O MIMO massivo leva este conceito a um outro patamar, apresentando dezenas de antenas em uma única matriz.

Para você ter uma dimensão, as estações base de 4G já usam MIMO e costumam ter 12 portas (oito para transmissores e quatro para receptores). Mas as estações base de 5G podem suportar cerca de 100 portas, o que significa muito mais antenas em uma mesma matriz.  Com isso, uma estação base poderá enviar e receber sinais de muitos mais usuários ao mesmo tempo.

Outra novidade da tecnologia 5G é o "Full Duplex", ou a possibilidade de contornar caminhos e abrir novas possibilidades de sentidos para as redes de comunicação.

Para explicar o "Full Duplex" podemos imaginar um walk talk. Nesse tipo de aparelho você só consegue falar ou ouvir, um de cada vez e nunca os dois ao mesmo tempo. como se um sinal emitido viajasse para frente e para trás dentro de uma frequência. Se outra mensagem fosse emitida simultaneamente na mesma frequência, haveria interferência e você provavelmente não conseguiria absorver muita informação.

Imagine agora que esses sinais fossem trens em um trilho. Nesse cenário, só poderiam trafegar trens em um sentido por vez, caso contrário, eles iriam colidir. Uma solução interessante, então, era ter duas vias de trem, uma para enviar e outra para receber informações.  É assim que funcionam as comunicações hoje em dia e é mais uma das diferenças que o 5G pode trazer!

Entendeu?

São muitas tecnologias e termos técnicos, a gente sabe, mas aí vai um resumo:

O 5G usa as ondas milimétricas como uma alternativa para utilizar faixas de frequências ainda pouco exploradas. Mas como o alcance dessas ondas é menor, eles utilizam   cells como pequenos retransmissores de sinal. O MIMO vem como solução para comportar muitas mais conexões simultâneas e, para evitar a interferência nessas conexões, o sistema de beamforming serve como bússola e aponta a melhor direção para propagar um sinal para cada usuário. Por fim, para possibilitar que seu aparelho “escute” e “fale” ao mesmo tempo e dentro de uma mesma frequência vem a tecnologia de full duplex.

E como vai a implementação do 5G pelo Brasil?

Assistimos com frequência nos noticiários que uma guerra comercial entre Estados Unidos e Ásia têm acelerado a corrida tecnológica para a implementação do 5G. China, Coreia do Sul e Estados Unidos são com certeza os países mais avançados nos testes e efetivação do 5G. E por aqui, essa ainda é uma realidade distante ou já podemos sonhar usufruir dessa tecnologia em breve?

Algumas operadoras brasileiras têm feito testes com 5G. Mas antes que essa rede seja disponibilizada comercialmente, as operadoras precisarão comprar as faixas de frequência em um leilão organizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O primeiro leilão está marcado para março do ano que vem.

Ainda assim, será necessário investimento massivo em infraestrutura para que o 5G se torne realidade por aqui. E isso leva algum tempo, ainda mais considerando as proporções continentais do Brasil.

Mas fatores da economia internacional podem acabar acelerando as coisas por aqui. Hoje, Estados Unidos e Europa estão praticando boicote à Huawei, a gigante chinesa de telecomunicações. Se isso continuar ocorrendo, a empresa pode decidir focar seu crescimento em regiões emergentes como América Latina e, consequentemente, o Brasil - trazendo o 5G na bagagem.

Um futuro mais colaborativo?

Don Rosenberg, vice-presidente da Qualcomm (empresa americana de chips de celulares), fez uma provocação interessante durante o Fórum Econômico Mundial do ano passado. Para ele, vivemos uma situação irônica: embora um clima de polarização e anti-globalização tenha tomado conta do mundo torna, estamos à beira de uma nova era de interconectividade jamais imaginada. A vida cotidiana das pessoas em todo o mundo estará mais intimamente interligada do que nunca.

Ele reforça que, para sustentar cada evolução geracional em telecomunicações, foi necessário um enorme esforço global coordenado. A cooperação internacional em engenharia necessária para a evolução das telecomunicações nos mostrou que podemos ir muito longe quando governos, empresas e cientistas de diferentes países trabalham juntos para o bem comum.

“Pense neste processo por um momento: engenheiros de empresas inventoras rivais, fabricantes de produtos rivais, operadoras de redes sem fio rivais, todos de diferentes países e continentes, discutindo, testando e tentando aperfeiçoar dezenas de milhares de soluções técnicas diferentes que formam um padrão como o 5G”, ele disse.

O 5G nasceu da aposta em um mundo mais colaborativo. Já que a alta densidade de antenas é uma das condições para que ele funcione, poderemos ver operadoras concorrentes fazendo parcerias para construírem juntas uma infraestrutura, dividindo os gastos. Num cenário como esse, a qualidade de sinal passa a ser praticamente a mesma entre as concorrentes e ganha quem tiver a melhor oferta de serviços e atendimento.

Será que viveremos isso aqui no Brasil em breve?


Entender o futuro das conexões é essencial para que estejamos preparados para usufruir dos potenciais das próximas tecnologias. Para nós, dar acesso a essa informação é estimular o conhecimento sobre a telecomunicação! Por isso que pretendemos publicar mais textos sobre o assunto por aqui.

Quer saber mais? Acesse flukeoperadora.com.br